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Coluna · Restaurantes

2 min de leitura

Não vale

Boa Pizza - Boa Esperança

Seria boa a pizza do "Boa Pizza"?

Por Redação Por Cuiabá · 17 de maio de 2026

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Boa Pizza - Boa Esperança

Pizzaria Boa Pizza — Pantaneira com Cheddar — 4.2 / 10

Há um momento curioso na história das cozinhas regionais brasileiras: aquele em que uma tradição construída ao longo de gerações é submetida ao exagero contemporâneo e perde, sem perceber, exatamente aquilo que a tornava memorável. A pizza pantaneira servida aqui é o retrato preciso desse momento — um prato que sabe sua origem, mas escolhe esquecê-la.

A combinação fundadora — carne seca e banana da terra — nasceu de uma lógica de território, de clima, de aproveitamento. Nada nessa equação pede cheddar cremoso. E ainda assim, ali está ele: serpenteando por cima da carne em ziguezagues industriais, como se um molho ultraprocessado pudesse arbitrar entre o sertão e o pampa. Não é fusão, é capitulação. A pizza pantaneira não precisava ser atualizada; precisava ser respeitada.

Os pecados técnicos completam o retrato. A massa é assada em forno a gás sobre assadeira — escolha legítima em muitos contextos, fatal neste. Falta o calor radiante da pedra, faltam as manchas escuras no fundo, falta aquela crocância seca que separa pizza de pão recheado. As bordas chegam à mesa pálidas onde deveriam estar tatuadas pelo forno, e o miolo cede sob o peso de coberturas que mereceriam uma base à altura. A temperatura errada não é detalhe; é a diferença entre arquitetura e improviso.

E há o que se vê pelo vão da porta: garçons circulando pela cozinha sem touca, sem qualquer equipamento de proteção, num bailado casual que diz mais sobre a casa do que qualquer cardápio. Em uma cidade onde a fiscalização sanitária é, na melhor das hipóteses, otimista, esse tipo de descuido é assinatura, não acaso.

O sabor, no fim, não é o problema. Há tempero, há intenção, há carne bem feita por trás do excesso. Mas pizza não é apenas o que se come — é como se assa, como se monta, como se entrega. E essa é uma cozinha que conhece o sabor da própria terra e mesmo assim escolhe servi-la com sotaque de outro lugar. O cheddar, no fim, não é o crime: é a confissão.

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